Comunicação, Tecnologia

O minuto na UTI: O pagamento de serviços medidos está por um fio.

 

A internet é ilimitada.

‍Esse conceito, que provocou uma revolução na oferta de serviços, se transformou em um princípio que está enraizado no consumidor, e não há força que possa deter esse movimento. O Spotify está aí para provar.

Tudo aquilo que puder ser virtualizado, será empacotado como serviço de uso ilimitado. Os serviços medidos, sejam cobrados por minutos, Kbps, MB, tempo de conexão etc, só vão durar até o dia em que alguém romper esse modelo. Só é questão de ‘quando’.

As tarifas telefônicas no Brasil sempre foram uma das mais caras do mundo porque nosso modelo de cobrança entre operadoras é realizado por etapas e reflete um momento absolutamente superado. Explica-se: o usuário da operadora A liga para um usuário da operadora B, entre cidades diferentes, utilizando o código de prestadora (CSP) de uma outra operadora C. A quantidade de transações na ligação é uma verdadeira salada: A paga para B, B paga para C, A paga para C, e, finalmente, A e C cobram do cliente. São diversas etapas em uma ligação, que geram despesas em cascata. No final, o consumidor paga a conta de tudo isso reunido.

Esse modelo fazia sentido em um tempo em que todo o tráfego do país passava por cabos metálicos através de centrais tradicionais. Quando a voz passou a trafegar através da internet, esse monstrengo deixou de fazer sentido.

E tudo aquilo que deixa de fazer sentido tem vida curta na internet.

Nos últimos cinco anos as operadoras tradicionais tentaram se adaptar:

  1. Criaram os planos ilimitados para a mesma operadora.
  2. Criaram planos ilimitados para qualquer operadora.
  3. Reduziram as tarifas.

Mas já era tarde. Pagar por serviço medido (ou seja: pagar por minuto) deixou de fazer sentido para o consumidor. As ligações ilimitadas migraram para os APPs.

No primeiro momento, as operadoras espernearam e tentaram taxar os APPs (Whatsapp, Netflix, etc), e agora, frente ao inevitável, oferecem uso ilimitado para os APPs de ligações.

Não há força nem poder econômico que faça isso voltar atrás.

Mas, se isso já é realidade para o consumidor, ainda não o é para as empresas. A internet tem disso: poder de massa é superior ao poder econômico.

As empresas precisam de número de telefone, de PABX, de ramais para os colaboradores e 0800, seja por obrigação legal (lei do SAC), seja por política de atendimento ao cliente. Nesse sentido, parece difícil que APPs venham a substituir os números telefônicos fixos, necessários e/ou obrigatórios para as empresas.

No entanto, tudo isso já está na nuvem. Nos mercados mais maduros, a migração para PABX Cloud já se consolidou, e em poucos anos o PABX tradicional será peça de museu.

No Brasil, com a construção de redes de dados mais robustas e eficientes, além da pulverização geográfica de redes de fibra ótica através de milhares de ISPs, as condições técnicas para virtualização de telefonia corporativa transformam o país na próxima parada para o PABX na nuvem.

No Brasil, esse serviço parece se dividir em dois modelos principais de negócio:

  • O que cobram pelo serviço medido, ou seja, cobram pelas ligações;
  • O que oferece ligações ilimitadas.

A história da internet nos mostra qual deles será o modelo de sucesso. Tarifação e contas telefônicas muito em breve farão parte de práticas superadas assim como a mobilização de recursos e investimentos em infraestrutura, além do próprio PABX.

 

Fonte: blog da iungo.

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