Desenvolvimento Humano, Empresário e Pessoa física

Aprenda a calcular horas trabalhadas de uma vez por todas

 

como calcular horas trabalhadas

Um dia desses, eu estava conversando com um amigo que acabou de abrir uma empresa e surgiu o seguinte questionamento: como o empregador deve calcular horas trabalhadas? Essa não é uma dúvida rara. Apesar de parecer algo tão simples quanto contar as horas que o colaborador passou dentro da empresa, ainda há muitos cenários específicos nos quais isso fica confuso, como horas extras, faltas justificadas etc.

Fiz uma pesquisa rápida pela internet e encontrei muitos sites que explicam o cálculo de forma complexa e que indicam programas para fazer as contas automaticamente. Mas para quem está começando, é difícil investir em softwares avançados ou contratar empresas especializadas. Dependendo do tamanho do seu negócio, fazer o cálculo a mão sai mais barato.

Acredito que, assim como meu amigo, muitos empreendedores têm essa dúvida. Pensando nisso, neste post vou falar um pouco sobre a jornada de trabalho e as formas de calcular horas trabalhadas. Se você é um novo empresário ou tem curiosidade sobre o assunto, vem comigo!

O que é jornada de trabalho?

A jornada de trabalho é o tempo que o empregado fica à disposição do empregador. De acordo com a Constituição, o limite máximo da jornada de trabalho é 8 horas diárias e 44 horas semanais. Isso significa que o empregado poderá trabalhar, até o limite da lei, durante 6 ou 8 horas por dia, ou até menos, tudo de acordo com o combinado entre as duas partes na contratação.

Todas as horas trabalhadas além desse limite, antes e depois do expediente, bem como nos fins de semana e feriados, são consideradas horas extras. No entanto, um trabalhador não pode cumprir mais do que 2 horas extras por dia. Se não existisse essa restrição, haveria muita gente usando a brecha de forma nada ética.

Como calcular horas trabalhadas?

Agora chegamos à parte matemática. Pegue calculadora, papel e caneta, pois você vai precisar fazer algumas anotações.

Para fazer o cálculo da jornada de trabalho regular, você precisa saber qual é a carga horária de trabalho semanal dos seus colaboradores, bem como o valor da remuneração. Segundo minhas pesquisas, para o cálculo da hora de trabalho considera-se um mês composto por 5 semanas.

Assim, digamos que a jornada de trabalho na sua empresa é de 44 horas semanais, de segunda a sábado, até 8 horas diárias. Como resultado, temos um total de 220 horas por mês (44 horas por semana x 5 semanas por mês = 220 horas mensais) — um valor considerado padrão hoje em dia.

Vamos supor que o salário do seu colaborador, nesse caso, seja R$ 2.000,00. Dividindo o salário mensal pelas 220 horas de trabalho temos o valor do salário por hora, que nesse exemplo é R$ 9,09. Parece pouco para quem vê assim, mas dá para perceber como ele se acumula.

Outro exemplo: se a jornada for de 36 horas semanais, o divisor da remuneração será 180 (36 horas por semana x 5 semanas por mês = 180 horas mensais). Nesse caso, é só dividir o salário por 180 para obter o valor do salário-hora. Para um salário de R$ 1.500,00, por exemplo, o salário-hora será R$ 8,33.

Tente fazer esses mesmos cálculos com alguns dos cargos e salários do seu negócio, ou com seu próprio pagamento regular. Antes de formalizar esse processo e usá-lo para tomar decisões relevantes em seu negócio, é importante pegar um pouco de prática, ok?

Como calcular o valor da hora extra?

Já falamos um pouco sobre hora extra aqui no blog. Para efetuar o cálculo, o seu valor deverá ser 50% superior ao valor da hora normal. Nos exemplos acima, temos:

  • para o salário de R$ 9,09 a hora, o valor da hora extra será R$ 13,64;
  • para o salário de R$ 8,33 a hora, o valor da hora extra será R$ 12,50;

Estabelecido o valor do salário-hora para a hora extra, basta multiplicá-lo pela quantidade de horas extras realizadas no mês.

Para as horas complementares realizadas nos fins de semana e feriados, o valor da hora extra deverá ser 100% superior ao valor da hora normal trabalhada. Assim, você precisará dobrar o valor do salário-hora para calcular o valor das horas extras realizadas nesses dias.

Esses são os principais aspectos que você deve considerar no cálculo de horas extras. E aqui vai um aviso: é muito importante não abusar delas. Se um projeto está com prazo excepcionalmente apertado, tudo bem. Mas se esse é um problema recorrente, então o defeito está no planejamento, não nos salários.

E no caso da jornada de trabalho noturna?

A hora trabalhada no período noturno é calculada de forma diferente daquela desempenhada durante o dia — já explicamos todos os detalhes sobre o período de trabalho noturno aqui no blog, então dê uma olhada no material para pegar os detalhes sobre o cálculo.

Resumindo alguns pontos importantes, você precisa ter em mente que a hora noturna não tem 60 minutos, mas 52 minutos e 30 segundos. Sendo assim, um total de 7 horas trabalhadas em horário noturno equivale a 8 horas de trabalho em tempo regular.

Também é importante lembrar que o valor da hora extra noturna deve ser 50% superior ao valor da hora de trabalho normal. Assim, o valor do salário deverá ser dividido pela quantidade de horas normais realizadas, e o resultado receberá um adicional de 50% do valor da hora de trabalho normal.

E no caso de uma rescisão contratual?

Quando um colaborador é desligado da empresa, você ainda precisa quitar uma última dívida trabalhista com ele, pagando o valor da rescisão contratual. Porém, o cálculo aqui é feito em dias de trabalho, não em horas.

Em todas as categorias, o trabalhador deve receber um valor proporcional aos dias que trabalhou no mês antes de ser desligado. Via de regra, o mês empresarial equivale a 30 dias.

Por exemplo, se ele recebe R$ 3.000,00, seu dia de trabalho vale R$ 100,00. Se ele foi demitido após 5 dias de trabalho, sua rescisão equivale a R$ 500,00.

Caso o colaborador não seja dispensado por justa causa, você deve oferecer um aviso prévio. Essa parte pode ser um pouco confusa, então optei por organizá-la em tópicos. Preste bastante atenção:

  • colaboradores com menos de 1 ano de casa recebem 30 dias de aviso prévio;
  • aqueles com mais de 1 ano de casa recebem 3 dias a mais para cada 1 ano de serviço prestado na empresa;
  • o limite de acúmulo para esses dias é 60. Assim, um colaborador que trabalhou na empresa por 20 anos deve receber 90 dias de aviso prévio.

Há algumas variações de acordo com o tipo de rescisão de contrato em questão. Então, é melhor se informar sobre o tema o quanto antes para evitar qualquer erro jurídico.

Por que é importante sabe calcular horas trabalhadas?

Você sabe a razão pela qual eu estou aqui descrevendo todos esses cálculos para você? Simples: por que eles são muito importantes para a tomada de diversas decisões em um negócio. Para esclarecer ainda mais esse ponto, listei abaixo os 4 benefícios de aplicar esse cálculo em seu trabalho. Confira!

Manter-se dentro da legislação

Já falei bastante sobre como a lei regula o pagamento das horas de trabalho, então é natural concluir que esses cálculos ajudam a evitar alguns processos trabalhistas. Empresas de todos os portes trabalham duro para evitar esse tipo de prejuízo no orçamento. Para um negócio pequeno e ainda em processo de formação, a perda pode ser bem devastadora.

Se você ainda não tem o equivalente a um setor jurídico, é importante que, no mínimo, aprenda quais são as regras de horas pagas e horas extras. A última coisa que você quer no fechamento do mês é uma taxa extra para pagar os honorários de um advogado.

Avaliar suas despesas

Se há uma coisa que você pode fazer ao calcular horas trabalhadas é estabelecer o quanto elas pesam no orçamento mensal da sua empresa. Muitos empreendedores acabam esquecendo desse gasto regular e depois ficam com a cabeça quente para colocar as contas no papel e fazer todos os números baterem. Mais uma vez, as finanças do seu negócio devem ser sagradas!

Uma avaliação de despesas também permite encontrar gastos considerados desnecessários ou áreas que precisam ser reestruturadas. Nem sempre é o caso de demitir funcionários para equilibrar os custos, mas sim de identificar quais são as prioridades da empresa e como você pode reagir para mantê-la de pé em caso de emergência.

Comparar o custo de um projeto com seu rendimento

Tudo que você faz com o dinheiro do negócio deve ser pensado com base na relação custo-benefício. Sempre se pergunte: se eu gastar X em determinada ação, será que recebo ao menos o mesmo valor de volta no final? Não é tão simples assim responder a essa pergunta, eu entendo, mas é uma questão muito importante.

O valor dedicado exclusivamente ao pagamento de salários também é uma forma de investimento. Sendo assim, o ideal é que você compare o valor envolvido em cada hora de trabalho e veja como ele reflete no retorno obtido pela empresa nos meses seguintes. Não é possível saber se um investimento de fato é bom sem antes fazer as contas.

Analisar e trabalhar o desempenho da equipe

Ainda falando sobre seus colaboradores e no quanto eles ganham, pode ser que alguns não tenham um desempenho tão bom no dia a dia. O resultado aqui é bem simples: você paga um valor alto e não consegue obter o lucro necessário para manter o negócio rodando por muito tempo. Se esse quadro continuar por mais alguns meses, infelizmente você poderá perder o seu investimento.

A partir desses valores, você pode identificar quais colaboradores apresentam um desempenho condizente com o seu pagamento. Da mesma forma, você pode usar isso como referência para entender se o problema está nos colaboradores ou nas metodologias — comparando, por exemplo, o desempenho de diferentes funcionários.

Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS)

Você estar aqui, provavelmente significa que a sua empresa ainda não efetivou um plano de cargos, carreiras e salários.

O Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) é essencial para todas as empresas que contratam. Ele é a forma mais eficiente de definir quais cargos entram nos processos gerais e quais salários ideais para cada cargo. Além disso, com um PCCS bem feito, é possível que os funcionários tenham uma visão mais clara de suas oportunidades de carreira dentro da empresa, influenciando diretamente na motivação dos colaboradores.

Um plano de cargos tende a direcionar decisões estratégicas, inclusive, em outras áreas da empresa, desde que essas áreas utilizem de recursos humanos, ou seja, na maioria dos negócios TODAS! Mas calma, não adianta se apressar para criar um sem conhecimento prévio, pois criar um PCCS é uma tarefa árdua e complexa, e quando mal feito pode atrapalhar o seu negócio como um todo. Por isso é recomendável que você se qualifique para isso, já que um dos grandes SEGREDOS das empresas de sucesso são as pessoas.

Para te ajudar com esse planejamento nós indicamos o Curso Online Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). Mas fique tranquilo, pois só aqui no Guia Empreendedor você tem acesso ao desconto exclusivo de 90% na Udemy (Maior loja de Cursos Onlines do MUNDO). Caso queira acessar o curso já com o desconto clique agora no link do Curso Online Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). Essa promoção de Black Friday é valida somente até o fim do dia 23/11/2018, aproveite e garanta já a sua vaga!

Viu só como é possível calcular horas trabalhadas? Seguindo as dicas acima, você mesmo poderá calcular o salário final de seus funcionários, sem grandes complicações.

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